
Tarde de chuva. Abril,dia primeiro,o da mentira,na tal sabedoria popular.
Chegara em casa encharcada,chovia forte,granizo puro de doer!
Percebeu que algo havia lhe acertado a cabeça. Latejava feito música eletrônica,cada pulso um impulso. Doía. Não havia sangue,só um galo,de expessura mole e dolorida.
Tentou olhar no espelho: fracassou. Era perto da nuca e além do mais,era cabeluda. Desistiu.
Tirou os all stars verde-musgo-encharcados e praguejou-os,pois quando chove,entra água pelos buraquinhos laterais. Botou o par molhado pra secar na varanda. Espirrou,em seguida. Praguejou a nova gripe adquirida. Pensou em tomar um banho quente,mas estava varada de fome. Estática,olhar além,pensava em qual função fisiológica atenderia primeiro. Decidiu tomar banho.
Se despiu lentamente,enquanto curtia o friozinho que passava por entre suas costas úmidas. Arrepiou. Parou defronte ao espelho. Apalpou os seios,segurou os cabelos como se rabo de cavalo fosse fazer,fez pose,sorriu.
Olhou o grau de flacidez da bunda,apertou-a,riu em seguida,pensando numa academia.
Era um ritual,todo dia repetia tais apalpadas,tais poses...Era bonita,diferente.
Entrou no box,abriu rapidamente o chuveiro e deu um pulo para trás. Rodeou a mão pela água fria que caía no centro do chuveiro e aqueceu-a. Mediu com o pé a temperatura.Quente demais. Esfriou um pouco.Agradável. Se molhou aos poucos,brincou com a água,viu ela passar entre os dedos e fluir pra outro lugar. Sentou-se no chão,curtiu a água descendo,penetrando a temperatura frígida. Fechou os olhos,virou o rosto para cima,deixou a água cair no rosto Sentiu a água fria da chuva que havia em seus cabelos se esvair pelas costas,provocando-lhe um leve arrepio pela espinha. O galo mole doía,dorzinha boa. Apertava-o contra a parede,e soltava lentamente,curtindo a dor. Sorria. Lavou os cabelos,ensaboou-se,se masturbou relembrando as trepadas com o namorado bom de cama. Gozou. Saiu do box,se secou,passou a toalha sobre a vagina recém molestada,sentiu-a inchada,o músculo contraiu,se afastou como um espasmo da mão atoalhada. Sorriu,com sorriso sacana. Terminou de se secar completamente,vestiu o blusão cru,sem nada mais. Atravessou a casa,indo direto pra cozinha. Preparou um bife da janta da noite anterior com pão dormido e um copão de coca-cola. Acrescentou molho barbecue que sobrou da última comida no MC´Donalds,e mais alguns alfaces e tomates.
Comeu vendo tevê. Fumou um cigarro logo após. Deixou cair uma brasinha no sofá,esbofeteou rapidamente,para não queimar. Por sorte não queimou. Continuou no sofá,imóvel. Espirrou novamente,xingou correndo pro banheiro,com catarro na mão. Soou o nariz,voltou pro sofá.Adormeceu,acordou no outro dia,pela manhã,e fez tudo de novo...rotineiramente.